Apresentação

por Clara Nogueira

O projeto “Artesãs Têxteis de Pernambuco” é uma pesquisa cultural que consiste no mapeamento afetivo das mulheres que trabalham com materiais têxteis em Pernambuco, com a intenção de dar visibilidade e protagonismo a essas mulheres.

Este site, “Mulheres que Tecem Pernambuco”, é o resultado desse projeto, aprovado pelo Edital 2015/2016 do Fundo de Incentivo à Cultura – FUNCULTURA.

O objetivo deste site é divulgar e fazer emergir o encontro entre as narrativas das mulheres que são responsáveis por tecer de importância e resistência suas práticas culturais, em meio à distopia real na qual seus trabalhos estão envolvidos. Além de deixar acessível essas narrativas, este site contém materiais audiovisuais, fotográficos e escritos que representam um esforço para tirar da invisibilidade a realidade dessas mulheres, bem como de suas práticas culturais e de seus locais de vivência. Enlaçando, portanto, uma teia complexa que une relações de gênero, as subjetividades, suas práticas têxteis e o território. Todo o produto do site é resultado de uma pesquisa cultural.

Dessa forma, o mapeamento abrange essas complexidades tendo as narrativas das mulheres como foco principal. O mapa do site é um tecido, feito por mulheres e suas histórias, sendo suas práticas têxteis o fio condutor que as une. Conversamos com mulheres que fazem o artesanato atualmente ou que já o fizeram no passado, que têm esse ofício como principal ou complementar à sua renda, ou que utilizam das práticas têxteis em seu cotidiano sem comercializá-las. Não foram exigidos, portanto, cadastro/documentos que as vincule à profissão de artesã.

A plataforma de divulgação de informações será atualizada, trazendo mais mulheres, especificidades têxteis e territórios. Neste primeiro momento trazemos a experiência da vivência e conversa com dezoito mulheres de três cidades de Pernambuco: Lagoa do Carro (Zona da Mata Norte), com a Tapeçaria; Poção (Agreste Central) com a Renda Renascença, Tacaratu (Sertão Itaparica), com a Tecelagem.

De onde nasce a vontade, onde se dá os primeiros pontos

por Clara Nogueira

Ainda criança pequena, aprendi o bordado tradicional, o ponto-cruz e o crochê em um Convento. Era um semi-internato exclusivo para meninas. No Convento de Santa Tereza, em Olinda, Pernambuco, havia o Educandário de Santa Tereza, uma escola mista, onde estudava pela manhã. Aprendi a escrever, ler, e dar os primeiros pontos na mesma época. O convento era dirigido por freiras que contratavam professoras para nos ensinar técnicas para nos fazer “prendadas”, “habilidosas”, ou para que estas se tornassem um ofício. Passei toda minha infância tendo essas aulas. Eram longas tardes dedicadas aos pontos, a desatar nós, cercada por meninas como eu, com mãozinhas que foram aprendendo a dançar com fios e tecidos, num balé silencioso que marcou toda a minha infância.

Esse conhecimento foi tramado em paralelo na minha vida, desde que saí do Santa Tereza, aos 11 anos, até minha gravidez, em 2013. O bordado livre foi usado como meio de expressão e experimentação durante esse processo introdutório da maternidade, e da minha nova condição de mulher/mãe. Passei, então, a produzir essas divagações artisticamente sob várias linguagens visuais, em todas elas utilizando as matérias têxteis (linhas, tecidos) como meio, do que viria a ser o “Linhas de Fuga” – meu projeto pessoal.

Em 2014, portanto, veio a divagação que se transformaria nesta pesquisa. Como as costuras da vida se tornaram um mote instigante para tentar discorrer sobre as práticas têxteis, e para adentrar nesse universo sob esse viés, teci o que seriam as primeiras perguntas que nortearam os primeiros pontos da pesquisa. Por conta do meu envolvimento com o universo das linhas desde criança, de antemão eu sabia que em Pernambuco é produzida uma pluralidade de especificidades têxteis: renda renascença, bordado tradicional, tapeçaria, crochê, tecelagem. Diante da condição de mulher, passei a pensar em outras mulheres que usam das práticas têxteis como meio de expressão, trabalho e sobrevivência.

A pergunta que me (co)movia, portanto, era: quem são essas mulheres? – sendo este o motivo primeiro que me trouxe a ideia desta pesquisa. Minha formação em Arquitetura e Urbanismo não me deixou ilesa ao pensar nos territórios que as abrigava: onde elas estão, moram, vivem? Comecei a pesquisar sobre, mas as respostas eram escassas, fragmentadas. Algumas informações aqui e acolá sobre as especificidades têxteis, mas nada, ou quase nada sobre as mulheres que as fazem, somente muitas mãos sem rostos. O que tornou a curiosidade no desejo, e a vontade de conhecê-las na necessidade da pesquisa.

O fazer feminino das práticas têxteis

por Clara Nogueira

Como disse acima, aprendi algumas práticas têxteis em um convento. Ao meu redor minhas irmãs, vizinhas, também bordavam, faziam crochê. Quando fui crescendo, e assim ampliando o espectro sobre o fazer, percebi que todas as minhas referências ligavam as práticas têxteis ao feminino. O caso não é isolado.

O assunto foi permeando meu imaginário. Me debruço sobre essas questões em minhas pesquisas recentemente. Sendo esta pesquisa, afinal, a ponta de lança que me fez querer mergulhar nessa construção imagética do fazer feminino, das práticas têxteis, e o entorno disto.

O consenso sobre a característica de “fazer feminino” dessas práticas se constrói por uma imagética coletiva determinada pelos eventos distributivos de poder que formam a história, conectadas ao papel social das mulheres nas sociedades.

Aqui tento deixar clara a necessidade de contextualização e de releitura dessa história “oficial”, sob o viés da história das mulheres, subsidiado pelo discurso de gênero, pois dessa maneira é possível alcançar um maior entendimento do papel social das mulheres, e uma justificação da posição dos espaços destinados a elas como hierarquicamente inferiores ao dos homens na divisão de trabalhos, e sobretudo no fazer específico das práticas têxteis.

Investigando antropologicamente algumas sociedades antigas, e mesmo na sociedade contemporânea, vemos o papel das mulheres nas estruturas sociais sendo conectado às práticas têxteis. Além da historiografia, muitos personagens validam e constroem essa ligação entre o têxtil como um labor feminino. Figuras mitológicas femininas como Aracne, Penélope, Moiras, Ariadne, Isis e Néftis… têm suas histórias ligadas aos fios, cultivando essa conexão imagética do trabalho manual com fios às mulheres.

Não quero aqui afirmar que em todas as culturas, de todos os povos, essa construção seja o norte, ou a via de regra, mas que em muitas delas há essa ligação. Trago, portanto, a perspectiva histórica europeia, pois a Tapeçaria1, estudada neste primeiro passo, chegou ao Brasil trazida pelos portugueses, e a Renda Renascença2 é de origem italiana. Os homens também exerciam algumas dessas práticas, mas estes eram guardiões do fazer notório e profissional: o tecelão, o tapeceiro, o bordador. Eram donos de ateliês, trabalhavam e eram reconhecidos. A Renda Renascença era feita para decorar e era exercida majoritariamente por mulheres no espaço da casa. Assim como o bordado tradicional quando exercido por mulheres, não tinha o status de arte.

A Renda Renascença surge justamente no Renascimento, momento no qual há um enorme investimento na ideia de individualidade. Essa concepção foi aprofundada na arte pela noção de “gênio”, quer dizer, pela capacidade extraordinária do indivíduo criador. “Naturalmente”, esse título só era concedido aos homens. Nesse momento, a primeira grande classificação hierárquica das artes foi feita, colocando a arte têxtil na posição de “arte menor”. Foi assim que foi feita a separação entre o “artístico” e o “artesanal” como a conhecemos contemporaneamente. O status de criação foi cedido ao artista gênio (homem), tirando, como consequência, do artesanal sua legitimidade criativa. Além disso o “artesanal” ficou associado a um sentido pejorativo.

Nessa época, de forma mais acentuada do que hoje, o lugar social da mulher era inferiorizado, invisibilizado dentro da hierarquia oficial das artes e da divisão sexista do trabalho. O fazer das mulheres não era reconhecido como profissão, não sendo, por isso, remunerado. As “habilidades” conferidas às mulheres, como o bordado, a tapeçaria, a tecelagem, eram realizadas sem o status de “arte” ou de criação. Tornavam-se mulheres “ideais”, “habilidosas”, “prendadas”3, aquelas que dominassem as práticas têxteis, e esperava-se que a função de seus produtos fosse voltada exclusivamente ao espaço da casa, para servir à família.

As mulheres tecelãs, tapeceiras ou bordadeiras não se beneficiaram da possibilidade de gozar a condição de profissionais, nem muito menos do reconhecimento no cenário amplo da cultura artística, da criação. “O bordar visível, público, espetacular, ostentatório, caro (…), economicamente valorizado, era produzido por homens”4 As mulheres ficavam com o labor doméstico das práticas têxteis, e tinham seus trabalhos destinados à família; suas produções eram para “uso doméstico, íntimo, escondido ou reservado a acontecimentos do foro familiar”5.

A tecelagem6 enquanto técnica (urdume e trama) está na história dos povos há mais de 12 mil anos. Estudada aqui, também neste primeiro passo, guarda resquícios dos povos nativos do Brasil e traz inspirações a teares europeus. E é, aqui na pesquisa, exemplificada pela prática das mulheres em Caraibeiras e nos povoados de Tacaratu.

Ensinadas em conventos, ou por damas, as práticas têxteis em geral eram usadas como forma de doutrinar e “moralizar” as mulheres, diante do seu papel arcaico e exemplar na formação de uma família idealmente harmoniosa.

Chegando ao Brasil, as técnicas manuais citadas, o artesanato, trouxeram esses estigmas: “Uma mulher já é bastante instruída, quando lê corretamente as suas orações e sabe escrever a receita da goiabada. Mais do que isso já seria um perigo para o lar”. Desse provérbio nasceu um hábito odioso conscientemente praticado em Portugal e introduzido por Cabral e seus companheiros no Brasil7. “A desconfiança, a inveja, e a opressão resultantes prejudicariam todos os direitos e toda graça da mulher, que não era, pra dizer a verdade, senão a maior escrava do seu lar. Os bordados, os doces, a conversa com as negras, o cafuné, o manejo do chicote e aos domingos uma visita à igreja, eram todas as distrações que o despotismo paternal e a política conjugal permitiam às moças e as inquietas esposas”8.

1Ver texto Tapeçaria em Lagoa do Carro.
2Ver texto Renda Renascença em Poção.
3Quanto a essa idealização aprisionadora, não deixa de causar espanto o fato de que tais vocativos continuem ainda hoje a serem utilizados na valoração corriqueira das mulheres.
4Durand em Bordar: masculino e feminino
5Idem nota 4.
6Ver texto Tecelagem em Tacaratu.
7Charles Expilly em Mulheres e Costumes no Brasil.
8Fazendo-me valer desse escrito, ressalto que esse trecho descreve exclusivamente a mulher branca durante o domínio português no Brasil.

Mulheres que tecem Pernambuco

por Clara Nogueira

Em 2015, o projeto pretendia conhecer mulheres e suas realidades em 8 municípios, mas não foi aprovado. Em 2016, o projeto foi reenviado ao Edital Independente do Fundo de Incentivo à Cultura – FUNCULTURA com a proposta de ir a apenas 3 cidades, e com esse novo formato o projeto foi aprovado, sendo este site o resultado do primeiro de muitos pontos desse Projeto.

Lagoa do Carro, Poção e Tacaratu foram as cidades pernambucanas escolhidas para dar os primeiros passos, conectar os primeiros pontos dessa história. Lagoa do Carro (Mata Norte) por ser a “Terra do Tapete”, onde se faz a Tapeçaria desde 1975. Poção (Agreste Central) foi onde se iniciou a produção da Renda Renascença em Pernambuco, em 1934. E Tacaratu (Sertão Itaparica) com a Tecelagem, cidade que guarda o distrito Caraibeiras e o povoado Sítio Olho D’Água do Bruno, conhecidos pela produção de redes e mantas, ainda produzidas em teares manuais pelas mulheres.

Nas três especificidades têxteis, das três cidades, a mulher exerce o protagonismo das práticas. É delas que depende a criação, manutenção e repasse de conhecimentos. As práticas têxteis para elas se conformam de maneiras diferentes. O fazer como aprendizado, passado de geração em geração pode vir a se tornar o fazer profissional (pois de seus trabalhos elas provêm o sustento das famílias total ou parcialmente), ou é por elas absorvido em seu dia-a-dia sem o intuito de comercialização das peças produzidas.

A Renda Renascença, a Tapeçaria e a Tecelagem empreendida nesta fase da pesquisa, conformam a noção do Artesanato Tradicional mesmo tendo suas técnicas resgatadas de elementos tradicionais nacionais ou estrangeiros, as mulheres nas cidades criaram outras referências culturais locais, pela técnica, pelo modo, pelo produto. Concordo, portanto com as considerações de Nestor Garcia Canclini que apresenta estudos de processos culturais aprofundados, quando ele traz a questão da hibridação cultural que abarca distintas misturas interculturais. Ele traz a necessidade de vermos esses processos de uma forma mais abrangente, “onde não existam oposição entre o tradicional e moderno, entre o culto, o popular e o massivo”1

Temos como intenção neste projeto valorizar esse protagonismo, pretendendo dar vazão ao fio de resistência que as mulheres carregam quando utilizam os materiais têxteis, pois estas se conectam de modo direto ao que dissemos anteriormente sobre os estigmas de gênero e aos conceitos pejorativos, e sem o status de “criação” sobre o artesanato que fazem. Por isso, a pesquisa se restringiu a ouvir somente mulheres, e através de suas narrativas entender de que forma em cada uma se manifesta essas conexões.

Durante a construção dos argumentos da pesquisa, os questionamentos sobre a invisibilidade das mulheres foram ganhando mais forma. Em trabalhos (livros, catálogos) acessados para a construção teórica do estudo, os seus trabalhos (tapeçaria, renda renascença, e tecelagem) aparecem em foco e elas como coadjuvantes, ou nem são mencionadas como criadoras das peças que aparecem nas imagens. O apagamento sistemático imposto às mulheres está exposto nas imagens que as ilustravam, onde exibiam somente suas mãos, e nunca seus rostos; isto foi gerando um incômodo cada vez maior. A pesquisa, portanto, trata do assunto de forma pioneira, pois não há na literatura, e em outros meios, o tecido que pretendemos mostrar, unindo suas realidades, práticas têxteis, território com essa abordagem.

Como focamos nas mulheres, e a pesquisa abrange suas práticas culturais (trabalho e território), configura-se esta como uma Pesquisa Cultural, pois através da conversa com as mulheres pretende-se tecer o entendimento sob suas realidades. Concordamos com o conceito de cultura onde “a cultura é compartilhada pelos indivíduos de um determinado grupo, não se referindo, pois, a um fenômeno individual; por outro lado, cada grupo de seres humanos, em diferentes épocas e lugares, dá diferentes significados a coisas e passagens da vida aparentemente semelhantes. As culturas mudam, seja em função de sua dinâmica interna, seja em função de diferentes tipos de pressão exterior. (…) A cultura é, pois, um processo dinâmico de reinvenção contínua de tradições e significados”2. Pretendemos, assim, a partir da escuta e da observação, compreender esses processos, significados e contextos.

O “Artesanato é toda produção resultante da transformação de matérias-primas em estado natural ou manufaturada, que expresse criatividade, identidade cultural, habilidade e qualidade”. “Artesão é aquele que, de forma individual ou coletiva, faz uso de uma ou mais técnicas no exercício de um ofício predominantemente manual, por meio do domínio integral de processos, transformando matéria-prima em produto acabado que expresse identidades culturais brasileiras”3. Até chegar nessa resolução, o artesanato brasileiro sofreu um processo muito longo de busca pela legitimação. A Lei do Artesão (n°13180/2015), uma conquista após quase trinta anos de luta da categoria4, regulamentou a profissão, sancionada pela presidenta Dilma Rousseff, em 2015. Antes disso, passou por uma série de transformações:

  • Em 1766, D. José manda destruir as oficinas de ourives e declara fora da lei a profissão;
  • A Rainha Maria I perseguiu quase todas as formas artesanais no Brasil, por um alvará (5/01/1785 – 26/01/1785) “que proibia a tecelagem caseira na colônia, abrindo exceção para tecelagem de panos grossos e que fosse destinado a vestir escravos”;
  • Em 01/04/1808 D. João anula os alvarás;
  • Em 25/03/1824 D. Pedro I, abole “as corporações” de ofício no Brasil;
  • Em 10/10/1937 o artigo 136, “o trabalho manual tem direito à proteção e solicitudes especiais do Estado”;
  • Em 18/09/1946 os artigos 157 e 158 proíbem a diferença entre trabalho manual e técnico;
  • Em 31/01/1995 – Criação do PAB – Programa do Artesanato Brasileiro “o artesão é considerado contribuinte individual pelo Previdência social e como trabalhador anônimo pelo INSS”;
  • Em 22/10/2015 – Lei do Artesão

A confecção de tipologias artesanais feitas pelas mulheres está em oposição à dinâmica do capitalismo e por isso são vítimas deste. Seus trabalhos são feitos, no geral, por autônomos, sem vínculo empregatício nas fábricas (que pagam informalmente às rendeiras para bordar algumas peças), no caso de Poção5, ou seus trabalhos manuais competem com as fábricas locais, como no caso de Caraibeiras6. Somente em Lagoa do Carro as tapeceiras7 são organizadas em Associação, mas sofrem com a sazonalidade das vendas dos produtos que fazem, e mantém sozinhas a Associação, sem contar com o número de associadas que vem diminuindo, movimento contrário ao esforço que elas fazem pra se manter produzindo.

“O recente interesse dos governos, ONGs e instituições internacionais no fomento do artesanato ocorre junto com a emergência de uma nova estética do artesanal, onde são admitidas (e premiadas) a criatividade e a inovação, e já não mais (exclusivamente) o respeito a padrões estéticos e a reprodução de técnicas tradicionais”8. Somente entrando numa lógica de mercado, inovando produtos, o artesanato segue “valorizado”. As mulheres não são reconhecidas pela prática cultural que realizam. Sancionada a Lei do Artesão, em 2015, a esses cumprimentos seguem-se esforços. Mas, com a prática cultural das mulheres no estado em que encontramos, a luta para que elas se reconheçam como artesãs e se conformem e protejam como tais está muito longe de acontecer. Quando se extrai somente o produto e a ele se paga o valor considerado “justo”, os valores não são repassados de forma que cheguem a elas. Os atravessadores e as fábricas monopolizam o mercado, mas dependem necessariamente delas e de suas práticas para continuarem se mantendo.

Nossa intenção enquanto pesquisadoras é subsidiar, com o conteúdo do site, o planejamento de políticas culturais, que contribuam para alterar a realidade de opressão econômica em que vivem as mulheres, pois, “sem o conhecimento sobre as condições de produção, circulação, difusão, fruição e acesso aos bens culturais no território nacional, não há como propor políticas públicas ou ações governamentais que dialoguem com a diversidade cultural e territorial de cada região do país9.

Incorporada à noção de cultura, já mencionada aqui na pesquisa, entendemos que “as relações culturais supõem relações de poder, desigualdades, contradições, e de que todas as modalidades de transmissão de cultura implicam, portanto, algum poder de dominação10. Contra esse estado de coisas se destina este projeto.

As mulheres com quem conversamos, que sobrevivem parcial ou totalmente do artesanato, sofrem com a sazonalidade das vendas, com a impossibilidade de custear suas produções, com a competição com as fábricas locais, com a inexistência de organização, com a diminuição das vendas, com a inexistência de lugares ondem possam comercializar suas peças, com o desconhecimento de seus processos de trabalho, com a desvalorização de seus trabalhos, entre outros vários problemas11. Tudo isso junto causa um desinteresse alarmante das mais jovens sob o fazer, pondo em risco a continuidade e manutenção dessas práticas culturais.

Através dos objetivos e intuitos já citados e dos compromissos da pesquisa, observamos como prioridade a manutenção da integridade destas pessoas, como uma forma de salvaguardar e proteger cada uma delas, tamanha a importância da manutenção e resistência cultural que elas sustentam.

Há nos materiais do site algumas restrições na divulgação dos conteúdos referentes às narrativas de 08 (oito) mulheres e da não divulgação de imagens (fotografia e vídeo), e nomes destas que cederam a este projeto a responsabilidade, através de dois termos – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e Termo de Autorização da Imagem (Foto e Vídeo) Áudio e Nome. O resguardo/restrição do uso desses materiais, portanto, se deu em função de uma demanda trazida pelas próprias mulheres entrevistadas.

Durante a etapa da pesquisa de campo (período entre 01/07 a 08/08/2017), algumas mulheres foram chamadas para participar do projeto. Já neste momento, algumas apresentaram um certo receio com a apresentação do conteúdo deste projeto (já que o objetivo deste é a divulgação de suas narrativas). Essa preocupação se repetiu quando fomos, de fato, conversar com elas (período entre 15/07 a 31/07/ 2017). A razão desse receio se deu ao fato delas serem agricultoras, e por isso não poderiam estar em um projeto que as vinculasse à profissão de artesã. Com base nesse primeiro impasse, trocamos o nome do site (produto da pesquisa) para Mulheres que Tecem Pernambuco. Nome que poderia deixar de as afligir e englobaria as outras 10 mulheres que estão no site. Além disto, por não ser medida protetiva suficiente, e esperando responder às necessidades de restrição do uso das imagens, não iremos veicular, sob nenhuma hipótese, relatos em áudio e vídeo de oito das dezoito mulheres que entrevistamos, assim como nenhum conteúdo que as identifique no site/projeto. Utilizaremos apenas suas narrativas em forma de texto transcrito, editando partes em que possam ser “identificadas” (nomes reais, nomes dos filhos, local de moradia, entre outros).

Esta posição do projeto é um modo de demonstrar respeito às mulheres e às suas necessidades e contextos. A razão pela qual há um receio por parte de algumas dessas mulheres é de ordem legal, uma vez que, como agricultoras, têm direito a aposentar-se em regime especial, ou seja, passam a vida sem “contribuir” para a Previdência, e só em tempo (5 anos a menos do que um servidor comum) relatam que são agricultoras, de modo que o processo documental é simplificado.

Elas são agricultoras, nascidas e criadas na roça, e por sofrerem com a seca, buscam, naturalmente, outros meios de sobreviver. Elas não são artesãs de carteira, como falam, são fazedoras de cultura, plantam, tecem e bordam com o mesmo afinco. Param de plantar no sol a pino e vão tecer, como parte da vida; elas reinventam maneiras de sobreviver e enchem de sentidos o fazer das práticas têxteis. Mas, caso estejam de algum modo ligadas a outra profissão ou fonte de renda, perdem automaticamente o direito ao benefício como agricultoras, pois a sensibilidade do Governo Federal não é do mesmo material maleável que a dessas mulheres. É preferível, para o Governo, negar a elas um direito adquirido com trabalho duro do que admitir sua condição de fragilidade, que as força a buscar alternativas de sobrevivência em tempos de seca ou de entressafras. Além de sofrer as pressões de um sistema capitalista que as mantém na base de uma cadeia produtiva, as mulheres teriam que contribuir para Previdência, pois as artesãs não têm a profissão reconhecida ainda em carteira – contribuem para a aposentadoria enquanto autônomas.

“Eu dei entrada e eles negaro, aí eles falaram que eu só me aposentava se eu tirasse a do meu marido, a pensão que eu recebo. Ele trabalhava de guarda, mulher, no banco, de vigilante. Aí pronto, mas pra tirar a dele eu disse mermo ao adevogado: ‘quero não, dexe, se eu não tenho direito a minha pa mexer na dele, pa ficar a mesma coisa dexe eu sem me aposentar mesmo. Nasci e me criei na roça… é assim mesmo’”.

Refletindo sobre o momento político de nosso país: o Governo Federal está propondo a Reforma da Previdência, e com ela duas alterações que põem em risco suas aposentadorias, já que: aumentaria a idade mínima da aposentadoria para 65 anos para homens e mulheres (hoje, homens podem se aposentar com 60 anos e as mulheres, com 55) e exigir contribuição individual e obrigatória por 25 anos. O que já põe em risco a situação atual das agricultoras.

Não caberá ao projeto ser apenas um site. Isto não seria contribuição para uma mudança na vida das mulheres artesãs. Como pesquisa cultural, ele se torna instrumento de luta contra a realidade distópica em que vivem essas mulheres. Portanto, não se faz necessário o uso das informações pessoais acima descritas como suporte pra isso. Basta a demonstração de respeito a essas mulheres a quem tivemos a honra de conhecer; e nos cabe respeitar também nossa palavra, na forma do termo que assinamos em conjunto com as mulheres. Estamos falando de pessoas reais, com problemas muito reais.

Historicamente, mulheres se encontram para tecer, bordar, tricotar juntas… Esse encontro, essa vivência e o trabalho produzido por elas têm sua importância equiparada. O site, como falamos, busca oferecer esse encontro entre as mulheres, realidades, fazeres e territórios.

1 Ivone Ritcher em Interculturalidade e Estética do Cotidiano no Ensino das Artes Visuais
2 Omar Ribeiro Thomaz em A Antropologia e o mundo contemporâneo: Cultura e diversidade.
3 Base conceitual do Artesanato Brasileiro.
4 Ver em <http://cnarts2.blogspot.com.br/p/fale-com-cnarts.html> a História recente detalhada no site da Confederação Nacional dos Artesãos do Brasil.
5 Ler texto Renda Renascença em Poção.
6 Ler texto Tecelagem em Caraibeiras.
7 Ler texto Tapeçaria em Lagoa do Carro.
8 Clara Lourido em O Artesanato No Capitalismo Avançado: Da Tradição Ao Desemprego Estrutural, Do Turismo À Decoração.
9 Plano Nacional de Cultura.
10 Ivone Ritcher em Interculturalidade e Estética do Cotidiano no Ensino das Artes Visuais
11 Ver os textos sobre cada especificidade têxtil estudada.

Metodologia: alinhavando a História Oral e a Cartografia Afetiva

História Oral

por Clara Nogueira

Quem melhor que você para falar sobre sua história? A História Oral é uma metodologia alternativa à história “oficial”. A união das narrativas de vida das mulheres foram ajudando a construir o entendimento sobre o contexto que abrange suas práticas culturais. Com as narrativas de vida, entendemos e confeccionamos a pesquisa. A história oral consiste em trazer as narrativas de vida, e vê-las de outra perspectiva, a perspectiva que comporta suas realidades imediatas. Esta pode ser, então, uma outra maneira de “construir” a história.

A memória se distingue da temporalidade histórica, mas cria uma possibilidade de trazer para o plano do historiador o registro da própria reação vivida dos acontecimentos e fatos históricos. Ouvir, para nós, portanto, se tornou um privilégio, pois os acontecimentos antes somente lidos na precariedade da literatura existente, na “história oficial”, ganharam vida, ao mesmo tempo que formaram redes ainda mais complexas. As mulheres abriram suas casas para nos receber e contar suas versões. A sabedoria de vida delas é responsável pela fagulha que acende os textos da pesquisa.

As narrativas de vida das mulheres aparecem na pesquisa, primordialmente, como forma de localizar nelas o protagonismo de suas vivências. Tentamos fazer com que o ponto de vista sobre as histórias se aproximasse o máximo possível daquele que pertence a elas. O lugar de fala é das mulheres. O processo de produção opera na dimensão partindo do real, do acontecido, da memória – como um elemento permanente do vivido1. A escuta da conversa das histórias de vida contadas pelas mulheres procura resgatar a memória e as diferentes nuances entre o que se viveu e as reverberações, impactos, afetos que tiveram com o que instigamos como o roteiro de preocupações2. Foi uma tentativa de unir experiências pessoas com o contexto geral da produção têxtil em suas repercussões culturais. Isso dá a cada narrativa características próprias, como a marca única de cada mulher. Contadas a seu modo, no seu tempo, por elas mesmas, são assim deixadas à vista.

Por ter havido muitas horas de gravação, fizemos, ancorada na metodologia, uma edição desse conteúdo. Nessa edição das narrativas foram retirados trechos que durante a conversa foram aparecendo, como palavras ou fatos que as mulheres pedissem para desconsiderar… A construção foi bordada com cuidado para que as letras dessem a forma das palavras por elas ditas. Foram em média duas horas de conversa norteada por um roteiro de perguntas com cada mulher.

Enquanto a memória resgata as reações ou o que está submerso no desejo e na vontade individual e coletiva, a história opera com o que se torna público, ou vem à tona da sociedade, recebendo todo um recorte cultural, temático, metodológico a partir do trabalho do historiador, que se projeta sobre a história escolhendo, selecionando o conteúdo, o plano das reações vividas nos acontecimentos e fatos históricos.

1 Antonio Torres Montenegro.
2 Preferimos chamar roteiro de preocupações a questionário, ler sobre a cartografia afetiva e a construção do roteiro.

Cartografia Afetiva

por Luíza Maretto

Mais muitos outros encontros, trocas, olhares, que ampliaram as bordas da rota já planejada.

Assim, utilizamos também de um outro guia, que chamamos de Cartografia Afetiva. Traçamos pontos com a Cartografia de autoras(es) como Suely Rolnik, Regina Benevides, Gilles Deleuze, entre outros. A “afetiva” no nome foi acrescentada por nós para deixar mais evidente o que nos conduz ao pesquisar. Dessa forma, atravessando os mapas representativos, a essa cartografia interessa acompanhar o movimento que acontece nos territórios, a cultura viva que se constrói. Interessa mapear cenários que se movem, como são as vidas das pessoas e as histórias que contam. Cultura que se faz, desfaz e refaz através de sentimentos, encontros, desencontros, desejos, aprendizados, tristezas, alegrias, contextos políticos e econômicos vividos pelas pessoas… e por aí seguimos, as movimentações… da vida e sua(s) história(s).

Para buscarmos aprender através desse mapeamento foi necessário ter o afeto como guia, como norte. A abertura de afetar e ser afetado; de estar presente no que acontece quando acontece. Afeto tem a ver com o acontecimento, não com o que planejamos a priori. É permitir encontro entre as histórias que escutamos e as nossas próprias histórias. Aqui, anuncia-se a não-neutralidade do pesquisar: é o que sentimentos, o que vivemos, o nosso modo de ver, o que acreditamos, nossa história e, ainda mais, o encontro com cada mulher que fez com que tenhamos escolhido um caminho do que outro. Uma pergunta, do que outra. Um determinado local de entrevista. Cada mulher que também sente, vive, tem história e vê as coisas de uma forma singular. Afetar é também intervir, trocar, saber que existe o sentimento em nós e na(o) outra(o). Como disseram as autoras Gislei Lazzarotto e Julia de Carvalho, no livro Pesquisar na diferença, um abecedário (2012), “Afetar denuncia que algo está acontecendo e que nosso saber é mínimo nesse acontecer. (…) nossas questões são feitas de vida.” E vida tem movimento, diferença.

Assim, a cartografia como método exige de nós rever e recontar nossa própria história. Inclusive nosso jeito de pesquisar, (re)feito tantas vezes na caminhada. Assim, nossos encontros foram de escuta: das mulheres e do que nos afetava com elas, entre nós.

Estávamos presentes com o nosso olhar ali e um princípio base da cartografia: o da ampliação da potência da vida. De quem pergunta, de quem recebe. Assim, importa nosso corpo e afetos, mas tudo isso no encontro com a outra, o outro. Nada disso é só. Afeto é entre, em relação. Afetar com, por. Reparar em como estamos pesquisando, intervindo, caminhando,

Compromissos

Por isso mesmo, essa pesquisa só foi possível pois as mulheres estiveram dispostas a nos receber, a abrir suas casas, escutar-nos e se deixarem escutar. E como estamos falando de gente que encontra com gente, gente que faz cultura, de vida que deve ser protegida e valorizada a todo custo, fomos norteadas por compromissos. A cartografia traz compromissos éticos, estéticos e políticos. Compromisso de sempre refletir sobre o nosso fazer e nossos valores em prática, de permitir passagem à sensibilidade e suas formas de expressão criativa, de procurar fortalecer o processo de luta do artesanato, e de conferir respeito às diferentes formas de viver das pessoas. Compromisso com a produção de cultura através das perguntas que fazemos, dos olhares lançados, das imagens produzidas, da intervenção feita na vida de mulheres que são reais. Compromisso de dar passagem a vozes de diferentes mulheres, entrelaçadas em seu fazer. Compromisso de carregar a sensibilidade como lente para o encontro.

Afinal, como bem aprendemos nessa caminhada é preciso saber entrar e sair da casa das pessoas.

O Roteiro de Preocupações

Para as entrevistas com as mulheres, utilizamos um roteiro de preocupações único, que norteou o enlace entre todas as diferentes mulheres, das diferentes cidades. Linhas para se percorrer, mas que a todo momento estavam abertas para irmos por outros caminhos. Cada encontro chamava uma pergunta diferente, uma curiosidade única que só era lançada através de cada mulher. Cada encontro e afetos puxavam uma linha para seguirmos.

Mesmo assim, podemos dizer que as principais linhas mapeadas pelo roteiro foram: Nascimento e infância; Família; Escola; Cotidiano; Aprendizado com o artesanato; Sobre o trabalho (seu cotidiano de fazer, sentimentos e valores de “fora” e de “dentro”); O artesanato em si; A cidade e o trabalho; Como é ser mulher; Relação mulher artesã; Desejos, sonhos.

As produções da pesquisa

por Clara Nogueira e Luiza Maretto

O material aqui apresentado foi produzido e guiado por um mapa afetivo e criativo, pela perspectiva da cartografia e da história oral. Como expressão dessa cartografia dos encontros com as mulheres, suas cidades e seus trabalhos, produzimos textos, imagens, vídeos e bordados. Escrever, refletir, fotografar, bordar fazem parte do processo da pesquisa de transformar, dar mais um passo de encontro à(s) pergunta(s) que move(m), mapeiam. As diferentes linguagens são usadas para tentar trazer para vista os aprendizados com essa pesquisa, que vêm de diferentes saberes e sensibilidades. Ou seja, os aprendizados com as histórias de vida dessas mulheres, seu trabalho e o local que vivem são expressos de diferentes formas, ampliando as formas de ver e sentir. O site procura, dessa forma, compartilhar com outras pessoas o que se aprendeu, o que se viveu, das mais diferentes formas.

Os produtos do site tecidos na caminhada

Os textos cartografia dos encontros

Antes de cada narrativa de vida trazemos textos escritos, apresentando cada cenário onde pousamos para as conversas: o encontro com cada mulher através do nosso olhar, expresso com nossas palavras. Um pouco do que ela faz e refaz, o que elas nos trouxeram, o que vimos, o que nos afetou, o que sentimos, nossos questionamentos, a caminhada da pesquisa. São 18 mulheres que tecem de sentido a vida, são 18 encontros.

As narrativas de vida das mulheres

Na apresentação da narrativa de vida das mulheres, há títulos as enfatizando e norteando a(o) leitora(o). São frases delas, que no meio da conversa surgiram com/dando grande força ao que estávamos ouvindo. Viraram títulos anunciando o que estava por vir. Toda a narrativa está transcrita, nós enquanto pesquisadoras trouxemos o roteiro de preocupações que norteou a conversa e conformamos ele a cada mulher. Aparecemos aqui entre parênteses para dar fluidez ao texto. São 18 mulheres e cada uma com muitas histórias.

Os vídeos tecendo as relações entre mulheres, trabalho e território

Os vídeos trazem imagens da cidade, das mulheres e das suas práticas. O objetivo é compartilhar o cenário em que fomos recebidas e onde vocês podem mergulhar, visualizar, sentir, como queiram, nos seus territórios afetivos. São três vídeos (um de cada cidade), três especificidades têxteis e 18 mulheres.

Os textos que contam cidades

Como a pesquisa não propôs ser uma georreferência entre mulheres x cidades, trazemos aqui o mapeamento afetivo dos territórios, contados a partir da história oral e da cartografia. Cruzamos, mais uma vez, esses dois métodos para que vocês conheçam a história do lugar numa perspectiva diferente. Somando os nossos olhares ao das mulheres enquanto fazedoras de cidades. São três cidades, três textos, três formas diferentes de contar.

Os textos que contam artesanatos

Cada linha de cada texto é tramada diferente. São texturas, formatos, tempos e realidades tão diversas quanto complexas. Pretendemos aqui compartilhar os saberes sobre as práticas têxteis, bordando a história, através da memória das mulheres, sobre a tapeçaria, a Renda Renascença e a tecelagem. Mostrando ponto a ponto suas etapas, processos, formas de fazer.

Projeto

Idealização e Coordenação Geral Clara Nogueira

Pesquisa Clara Nogueira | Luiza Maretto

Textos Cartografia Luiza Maretto

Textos Cidades e Especificidades Têxteis Clara Nogueira

Transcrição Clara Nogueira | Gilberto Clementino Neto

Edição Narrativa das Mulheres Clara Nogueira

Produção Executiva e Captação de Recursos Rose Lima

Assessoria de imprensa Kalor Pacheco

Revisão de Textos Gilberto Clementino Neto

Imagens (foto e vídeo) Laís Domingues

Arte Clarissa Machado

WebDesign Jeporu – web criativa

Créditos Vídeo

Roteiro e Direção Clara Nogueira

Edição e Montagem Isabela Stampanoni

Imagens e Fotos Bordadas Laís Domingues

Intérprete em Libras Tafnes Oliveira

Vinheta abertura

Animação Paulo Leonardo

Bordado Animação Clara Nogueira

Bordado Mapa de Pernambuco Clarissa Machado

Fotografia Rafael Amorim

Lista agradecimentos geral

À equipe | José | Maria José | Lara | Mariana | Daniel | Gracinha | Otacílio | Thelmo Renata Paes | Ornela | Lu Azevedo | Camila | Gabriel | Paulo Leonardo |Rafael Amorim | Raul Luna | Maria Luiza Ady | Divina | Maria Amélia | Terezinha | Ariovaldo Naiá | Júlia | Giovana | Annaline | Danilo | Zé Lívia | Pamela

Agradecimentos

Lagoa do Carro

Risolange | Tetê | Teresinha | Léa | Léia | Neném | Maria Janira | Isabel | Neide | Willams | Eraldo Ramos

ASTALC – Associação das Tapeceiras de Lagoa do Carro

Prefeitura Lagoa do Carro

Poção

Ana Alice | Vera | Maria de Odon | D. Odete | Genelícia | Carla | Alexandra |Júlia | Giovânia | Salomé | Silvania | Maurício | Elza | Seba | Mario | Maciel

Prefeitura de Poção

Tacaratu

Sueli | Célia | Laudineide | Rosemere | Rudivânia | Suelen Crislaine | Artur Vagner | Yasmin Krísia | Jorge | Luiz | Alice | Jean | Gilson | Carla

Coopertêxtil – Cooperativa dos Artesãos Têxteis de Tacaratu

Fábrica Manoel Pedrosa

Prefeitura de Tacaratu