S., 37 anos

S. é agricultora e tecelã. Aprendeu a fazer rede criança. Hoje faz varanda, sua especilidade, empunha e passa cadilho. Conversou com a gente no seu local de trabalho, em Caraibeiras.

Por Luiza Maretto

Procurando quem faz varanda bonita, o moço da cooperativa indica uma mulher certa, ali perto. De primeiro surgem dúvidas se ela quer participar da pesquisa: quem somos, o que faremos com sua história, pra que queremos escutá-la. Ela nos faz movimentar. Refletimos, mudamos rota, arrumamos prumo e combinamos as coisas, esclarecendo tudo como será. Firmado nosso compromisso, ela marca outro encontro em sua casa.

É horário de almoço, as máquinas do tear elétrico estão silenciadas. O portão da pequena venda de sua casa ainda está fechado e, caminhando por perto, encontramos dois homens urdindo fio. Eles estão andando de um lado para o outro, várias vezes. Embaixo de uma árvore, mulheres dão nó em tapetes. Os portões da venda de S. se abrem e o som das máquinas volta a ficar ao fundo.

As invenções de trançados de S. tem nome, sabemos depois, e a admiração de quem vê, ajuda ela a continuar a criar. Porque tem muita barreira também. Uma recém criação sua está exposta chamando atenção pra rede, esticada, ainda sendo feita: uma varanda azul que ela faz em pé. Com sua própria história, entre as varandas, sacos de estopa com cereais e sua filha mais velha acompanhando tudo, conversamos. As duas filhas mais novas agitam por ali também. Querem escutar o som que o gravador faz, fazem perguntas.

Pra fotografar, S. solta os cabelos e um sorriso. “Quando eu penso que tô fraca, tô forte.” Comemos doce de leite pra finalizar. “Se soubesse que vocês iam vir, tínhamos preparado café!”

Narrativa

Eu via mamãe fazer e fui aprendendo

Eu sempre morei aqui (em Caraibeiras). Desde eu pequena. Nasci na casa da minha vó, já na mesma rua, sempre moramos lá. Depois eu me casei com dezesseis anos, morei no sítio, sempre fazendo mesmo também artesanato, aí depois eu fui morar em São Paulo. Ainda morei lá seis anos em São Paulo. Vendia artesanato, e depois eu voltei pra cá, e aqui eu mesmo faço o meu próprio negócio.

Estudava aqui em Caraibeiras. Nunca estudei no sítio, não. (Fiz) Até a oitava.

Minha infância era… eu estudava durante o dia. Ajudava sempre meus pais, também, em casa, e trabalhava também. Eu sempre fazia coisa de rede, mas não assim. Era menos difícil do que hoje. A rede era mais fraca, antes eu fazia a franja. Eu prefilava a rede, e estudava.

Minha mãe (me ensinou). Aí eu sou a primeira filha, a mais velha é eu. Então eu via mamãe fazer e fui aprendendo. Tenho, tenho mais irmãos, mas os outros é mais novo do que eu. Nós somos seis. Quatro meninas e dois homens. É. Todo mundo (fazia).

Foi, aí depois parei, nunca mais eu estudei (quando casou). Com dezesseis, (tive) meu menino. Eu tenho quatro (filhos)

Quando eu não tô fazendo varanda, tô prefilando, tô passando cadil

Meu dia-a-dia, de manhã levanto, aí pra poder… meu dia-a-dia é assim: de manhãzinha eu vendo os pau aqui, por isso eu fico aqui nessa área, aí pra não ficar sempre só parada esperando alguém vim pra me comprar alguma coisa, aí eu vou e vou fazendo minhas rede. Quando eu não tô fazendo varanda, tô prefilando, tô passando cadil, de tudo eu faço um pouquinho. Aí nos finais de semana eu lavo roupa, fico em casa, a minha menina me ajuda em casa, no meus afazeres, levo as menina na escola, as mais pequena. E no final de semana, às vezes vou ajeitar as coisas em casa, lavar roupa, às vezes saio também. É assim meu dia-a-dia.

Algumas coisas já aprenderam (as filhas), mas as outras não sabem, não. Eu ensinei ela a passar cadil, meu rapaz sabe empunhar, e tecer todos eles sabe. As pequena não sabe fazer nada, ainda, de rede, e é só, acho que só.

Era, eu tecia na casa de minha vó. Minha vó tinha tear manual e eu fazia rede lá mais ela. Aí as outras coisas… porque antigamente não tinha varanda, não. A rede, a varanda era diferente. Aí tinha que fazer na parede pra depois pregar com a franja, a varanda. E prefilar e passar cadil sempre foi a mesma coisa. O punho é nesse, e prefilar é com a agulha. A mesma coisa desde antes.

Eu acho que eu tinha uns treze ano (quando começou). Era bem novinha. Aí eu estudava de manhã, quando era de tarde eu fazia, ajudava minha vó, que curiosa pra aprender. Aí fui aprendendo, pegando, vendo elas fazerem, aí aprendi. Acho que as filha destruíram (o tear). Não tem mais, não.

Estudam as três. O mais velho já terminou os estudo. Meu marido fica aqui e viaja também vendendo artesanato. Ele vende a rede, os tapete, manta, tudo que é fabricado aqui em Caraibeiras ele leva pra São Paulo.

Fazia não em São Paulo

Lá (em São Paulo) eu tinha uma loja, né?, era, eu vendi lá na loja mais meu esposo. Não, lá não tinha como (fazer), porque já tinha que levar tudo daqui pronto. E a rede tem muitas coisas que sozinha não faz, e tem que ter as coisa mesmo como… tudo. A rede não tem como fazer em outro canto, não. A não ser que leve o tecido, já leve a linha botada na varanda, passar o cadil dentro do tearzinho. Então não tinha como. Fazia não em São Paulo. Só vendia. Já tava tudo prontinho. Já vendia.

Em toda a região de São Paulo ele vende. Campinas, São Paulo, Santa Catarina. Mais do tear elétrico. Ele compra e revende.

É, lá no sítio

É, lá no sítio. Porque, assim, o tear manual ele leva muito espaço e o meu quintal é pequenininho, e tem que ter espaço, que ele é uns pau comprido, ele leva mais ou menos uns cinco metros de espaço, pra ter espaço mesmo. Aí aqui eu não tenho um tear manual. Mas sei tecer, sei urdir, sei fazer tudo no tear manual.

Eu levo a linha pra ela, aí ela faz a cor que eu quero, do jeito que eu quero, explico a ela, depois ela me entrega e eu pago a ela.

“eita, hoje eu vou fazer uma diferente”

Eu, assim, eu boto a linha aí digo: “eita, hoje eu vou fazer uma diferente”, aí vou fazendo, vou fazendo, peço a alguma pessoa pra olhar pra dizer se ficou bom. Aí as pessoa me admira, aí eu continuo. Se disser que não aprovou, aí eu vou e desmancho e faço. E vou criando. Hoje mesmo eu já inventei essa que eu tava fazendo. Vou fazer mais pra baixo, mas de outro jeito, e vou criando, assim, as varandas e as pessoas vão dizendo que fica legal.

Tem a de florzinha, tema da Paraíba, tem a macramê, tem a… ai, meu Deus, e agora, como é o nome daquelas? “Tem escama de peixe “(a filha fala). É, tem a escama de peixe, tem a rabo de arraia, que eu também criei essa, e tem aquela outra de… ah, e tem casinha de abelha. Tem umas que eu faço também que é casinha de abelha.

Vou dando os nome nessas que eu vou fazendo. Já teve gente querendo tirar foto, aí como eu não tinha celular digital. Aí eu criava e deixava minhas rede. Aí só que eu não sei ensinar. Eu sei fazer e alguém quiser olhar ou pedir, assim, uma orientação, tudo bem, eu explico, mas pra eu ensinar, eu não sei ensinar. A minha filha não aprendeu porque eu não sei ensinar a ela. Quanto mais trabalhosa é que eu mais gosto de fazer.

Então, eu guardo na cabeça. Aí às vezes eu digo: “eita, meu Deus, eu vou esquecer”, mas eu não me esqueço. Se eu quiser conseguir fazer, eu faço. Eu não tinha celular pra tirar foto.

A varanda, ela chama mais atenção mesmo

As cores é assim: eu vejo um tom que combine, como umas que eu fiz no mês passado, você via, a primeira vez que você vê, eu tava fazendo uma fiz cor de arco-íris, as sete cores do arco-íris eu inventei, aí fui lá na mulher e mandei a mulher fazer. Levei os fio, as cor tudo que combinava e ficou legal aquela, já foi vendida.

A varanda ela chama mais atenção mesmo. Não por o pano ter sido assim, mas a varanda mesmo que chama mais atenção.

O punho é pra segurar a parede

É, o punho é pra segurar a parede, pra poder botar na parede, tem que ter o punho, e o punho é manual, tem que ter essa coisa de madeira e o cordão também é manual. Vai fazendo e colocando no fuso e ligando na energia e ele vai rodando até ficar desse jeito aqui, que se for distorcido também não entra, o peso da pessoa deitada na rede. Tem que ser bem exigente.

É, mas é mais fraco o (cordão) da fábrica mesmo. Esse aqui, o manual, é melhor. Ele fica mais torcido, e fica melhor do que da máquina.

É, o cadil é todo manual, por causa de a gente torce a rede, amarra e torce, aí tem que passar o cadil, aí tem que passar aquele negócio lá e depois fazer o punho.

Essa aqui é uma madeixa (franjas), a gente chama. A rede, a gente corta a rede, aí fica esse pedaço de fio solto, aí tem que amarrá-lo, uma grossura específica, a gente vai medindo, e vai amarrando, depois você torce ela pra depois passar o cadil, e esse nó fica preso no cadil. Porque eu fiz o nó. Já tem que fazer o nó antes.

O lucro é muito pouco

Me ajuda a pagar as coisas da minhas filhas, a compra as coisas pra eu também, mas o lucro é muito pouco, mas aqui todo mundo véve disso, né? se eu não fizer a rede, não vou fazer o quê, nada, que não tem o que fazer aqui mesmo. Todo mundo faz, negócio de rede. Sempre a mesma coisa, sempre, não tem valor, nem quanto mais ou menos, não.

As fábricas ficou melhor, facilitou muito mais, porque o quanto você fazia uma rede, hoje no tear elétrico hoje ela faz vinte e cinco, trinta rede no tear elétrico, e é quase a mesma coisa. O que muda é que, no manual, a gente aproveitava todo o restinho de fio. No tear elétrico não, no tear elétrico ela prefire muito fio, e não aproveita o restinho do fio de jeito nenhum.

A maioria quem faz é as mulher

Quem faz no manual, faz no tear elétrico também… do mesmo jeito. Eu mesmo não tenho coragem de trabalhar no tear elétrico. É muita energia, eu tenho medo da energia. Aqui em casa eu nem tenho tear elétrico. E o manual são mais as mulher mesmo que tece. Alguns que passa cadil, e todos os homens sabem fazer as coisas aqui, mas a maioria quem faz é as mulher.

Não sei, não, que já quando eu era pequenininha minha vó já fazia, todo mundo já fazia. Então não sei quem começou, daonde trouxeram, que aqui em Caraibeiras mesmo é quem faz. Caraibeiras e sítios vizinhos, mas Tacaratu também tem. E é tudo município pertinho um do outro, e não faz, só aqui em Caraibeiras.

É melhor a manual

Ah, prefere a manual (as pessoas). A manual é melhor mesmo. Porque ela não tem nó na rede. Ela, o jeito que você quiser, o tear manual da pessoa faz. Tem umas que faz toda bordadinha, elas. “Bordado inteiriço”, que a gente chama. Ela fica bem bonita. E, já o tear elétrico, ela não faz. O tecido fica mais mole, o tear manual o tear fica bem mais resistente.

Já tá se acabando, porque é muito mais trabalho. Quase ninguém quer trabalhar mais no manual, quer tudo achar mais fácil. O tear elétrico é mais ligeiro. Quase ninguém quer fazer mais manual.

A qualidade é diferente (do manual e do elétrico). Quer comprar pelo mesmo preço. Vê que é melhor a manual, mas quer o mesmo preço, e o trabalho é muito, muito mesmo, mas o pessoal não se importa com o trabalho que seje.

O pessoal não valoriza o trabalho da gente

As pessoa vêm e me perguntam se eu posso fazer, aí, quando eu posso fazer, eu faço de outras pessoas também. (cobro) Só o trabalho.

Eu já. Eu queria ter, assim, um próprio negócio, uma coisinha mais melhor, que é cansativo. Dá uma canseira na barriga, as perna fica toda cheia de varizes, e o pessoal não valoriza o trabalho da gente. Passar vinte rede no dia pra ganhar vinte reais. É muito pouco. Cada rede é um real (o cadil). A varanda é vinte e cinco.A pessoa me dá a rede e o fio. Aí eu corto os fio e vou colocar ali na rede pra fazer a varanda. É, tem dias que eu faço um, dois dias. Demora. Não é todo dia que eu faço uma, não.

As pessoa quando vêm pra fazer a beirada tem que trazer os fio, que cada rede é uma cor. Às vezes a pessoa traz uma rede bege e eu não tenho fio bege. Ele tem que trazer o fio também.

Não, tudo do mesmo jeito (pontos e valores). Tudo é um preço só. Quer a varanda diferente, mas não sabe o trabalho que dá de uma pra outra. A (rede) manual é mais cara. Eu peço mais um pouquinho.

Tem dia de domingo que eu não tenho o que fazer que eu digo: “eu vou fazer é varanda”

Gosto. Tem dia de domingo que eu não tenho o que fazer que eu digo: “eu vou fazer é varanda”. Aí vou fazendo alguma com as minhas menina: “Ô, mãe, não faça, não, já vai trabalhar a semana todinha”, mas eu gosto, né? Às vezes a segunda feira fica tão perto e eu vou adiantando pra segunda. Final de semana não. Às vezes eu trabalho só até a quinta, na sexta eu vou pra feira. Aí depois vou fazer outras coisinha, e final de semana eu arrumo a minha casa, vou me ajeitar também. Só na semana mesmo que eu faço.

Às vezes é encomenda. Vem encomenda, e às vezes as pessoas querem outra coisa de rede que eu não tenho, aí pra semana que já entrego a cor que ela me pedir. Se for uma ou duas, dá pra fazer numa semana.

Eu gosto mais da cor colorida

Eu gosto mais da cor colorida. O cru mesmo ele é, eu não gosto muito de trabalhar com o cru, não. Eu gosto mais assim colorido, mais viva. Dá mais alegria pra a gente fazer.

Eu faço assim mesmo, boto os modelo e fico comparando, aí eu vejo que dá bom. Outras vezes, digo a que não combinou, mas já foi. Eu não gosto de uma cor, mas a pessoa gosta, e é assim.

Eu gosto de trabalho

Ela (a filha) fica mais eu o dia todo. “Trabalha escutando radinho e conversando” (diz a filha)

O que eu já pensei em fazer? Vixe, sei lá. Trabalhar numa coisa melhor, que rendesse mais, que não desse tanto trabalho, nem sei o que era que eu queria.

Ah, o trabalho é tudo, porque, assim, a pessoa, eu gosto de trabalho, de trabalhar, porque a pessoa que trabalha fica a mente, você pensando só naquilo ali, e a mente vazia, sem ter nada o que fazer fica pensando em besteira em alguma coisa assim. Eu não gosto. Até mesmo, como eu tava dizendo, dia de domingo que eu tô desocupada, ir pras casa ou mesmo ficar assistindo televisão, eu venho fazer alguma coisa pra adiantar pra segunda, eu não me importo que seja no domingo. O importante é que eu esteja trabalhando em alguma coisa, não teja parada. Não gosto de fica parada.

Essa semana mesmo nós tamos colhendo

Lazer… às vezes a gente vai pra nossa roça, né? Aí fica lá na roça, eu fico olhando as coisas de casa. Já trabalhei muito na roça também. Essa semana mesmo nós tamos colhendo, tá esperando secar o feijão pra nós catar ele.

Feijão, milho, lá na nossa roça. É, só final de semana. Desde pequenininha também. Meu pai sempre tinha roça, aí nós ia todo mundo pra catar feijão, quebrar milho, sempre todo mundo ajudava.

Na roça é mais chato. Aquele sol, que aqui é quente. Aqui em casa é bom porque todo mundo na sombra, né?, parece que você quer levar pra perto da televisão pode levar a rede. Às vezes quero ir pra casa da minha mãe, posso levar a rede. Fica todo mundo conversando e trabalhando na rede, amarrando, acochando. Não perde tempo, não.

Só quando chove no mês de maio pra abril a gente planta. Aí, no ano que é bom, esse ano não foi bom. Aí de manhã eu venho pra cá pra vender minhas coisinha e fico aqui fazendo varanda. É mais pra nós mesmo comer maduro e depois guarda alguma coisinha pra poder plantar no outro ano. No ano que dá, né?, no ano que não dá…

Eu chorava tanto com saudade

Gosto (de Caraibeiras). Adoro aqui meu lugar. Eita, nem fale, eu chorava tanto com saudade da minha família, longe de todo mundo. Não conhecia ninguém lá em São Paulo. Todo ano eu vinha passear, passava um mês, saía, era aquele choro, aquela saudade imensa. Mas aí até que Deus preparou que eu vim de volta pro meu lugar. É, eles eram pequenos, os dois mais velhos eram pequenininhos.

Eu não queria isso pra minhas filha. Eu queria uma coisa melhor pra elas, como a minha filha mesmo era pra tá fazendo a faculdade, mas não temos condições, aí ela fica aqui, mas eu fico com pena de ela trabalhar como eu, trabalho desde pequenininha que eu trabalho e não tenho nada de futuro. O futuro é, assim, comprar uma coisinha e pagar como esse dinheirinho pouco. Eu queria uma coisa melhor pra ela, como as colega dela tudinho viaja, tão fazendo faculdade.

Gosto de ficar só parada não. Aí eu vendo.

Na feira é concorrência. Se eu vender a minha por cem, pedir cem reais, aí aquele outro lá vê e vende por noventa. É muita concorrência na feira, mas também nas feira também é bom porque as pessoa conhece a gente e dá número de telefone, a gente dá o contato da gente pra essas pessoas, e através do telefone pede alguma coisa, volta depois e é assim.

Gosto, eu gosto de conversar, gosto de ficar só parada não. Aí eu vendo. Eu gosto de vender. Eu gosto de conversar.

A pessoa se combina (na feira com outros comerciantes), mas quando chega lá uma quer uma mercadoria diferente da outra, né?, nem todo mundo é igual, as mercadoria é igual, aí às vezes as pessoas, por exemplo, a minha rede é melhorzinha, tem outra melhor de que a minha, outra é mais fraquinha de que a minha. Cada uma tem seu preço, cada qual tem sua mercadoria. Às vezes pode até, como é que se diz, pode até ser parecido, mas não é igual. Umas faz melhor do que outras e cada uma tem seu preço.

Eu me sinto uma guerreira

Ah, mulher, assim, em termos que eu quero dizer, assim, a mulher no trabalho, mãe, esposa e trabalhadeira, assim, é como… eu me sinto uma guerreira, que tem horas que eu digo: “eu não vou dar conta do que eu tô fazendo”, mas graças a Deus o Senhor me dá forças e eu tô lutando, né?, mas é muito puxado, né?, dona de casa, mãe de família e fazer o que a gente trabalha o dia todinho… e é assim, é isso… que eu acho que tem mulher, assim, que é diferente, que anda no salto, vai trabalhar num banco, a empresária, mas só que a empresária vem daquela simpleszinha que trabalhou pr’aquela pessoa. Eu acho assim. Tem mulher diferente uma da outra.

Ah, o artesanato, pra mim, é uma maravilha

Meu menino adora dormir de rede. Eu já não gosto muito de dormir de rede, mas meu menino adora dormir de rede.

As pessoas quando vêm e me compram a rede, aí gostou, como vocês adoraram aquela, aí eu fico bem sastifeita por eu fazer um trabalho criado por mim mesmo e as pessoas gostar. Eu fico sastifeita.

Ah, o artesanato, pra mim, é uma maravilha. Graças a Deus, que, se não fosse ele, eu não fazia o quê? Nada, só fosse em casa, cuidar de meus filhos e esperar que meu esposo trouxesse algum dinheiro pra mim, pra comprar minhas coisas, e, com o artesanato, eu não espero. Eu mesmo compro as minhas coisas, compro as coisas dos meus filhos. E o artesanato pra mim é tudo. Por isso que eu adoro o trabalho que eu faço.

A zoada dos tear (da cidade)? É, quando falta energia faz uma falta, fica uma solidão. O som dos tear já faz parte dos nosso dia-a-dia, viu? É teco-teco o dia todinho.